
FRANKFURT — O Spotify vai passar a oferecer audiolivros no Brasil a partir do dia 15 de outubro. O anúncio oficial foi feito na Feira do Livro de Frankfurt na manhã desta quarta-feira (7), quando a plataforma de streaming divulgou um ambicioso plano de expansão global no segmento.
O serviço vai passar de 22 para mais de 180 mercados ao redor do mundo, com o potencial de alcançar mais de 750 milhões de pessoas. O plano começa nesta quarta em países como Colômbia, Itália, México e Espanha. Argentina, Brasil, Noruega e Polônia começam a receber o serviço no dia 15. Outras regiões aderem até o final do ano.
Em outros países, o movimento da plataforma foi creditado como um marco na expansão do mercado de audiolivros. No Brasil, o modelo vai ser incluído no Plano Premium da plataforma: os usuários poderão ouvir 12 horas de audiolivros por mês, sem acréscimos no valor da assinatura. Um plano específico, Audiobooks+, também será disponibilizado. Outros livros poderão ser comprados diretamente na plataforma individualmente. Dependendo do tamanho de cada livro, um audiolivro tem em média oito horas de duração.
O catálogo começa com 350 mil títulos no total, em diversas línguas — o objetivo é alcançar 120 idiomas. Duncan Bruce, líder de parcerias global do Spotify, disse na Feira que a ideia é continuar a expandir contratos e parcerias com editoras e distribuidoras locais. Em português, no primeiro momento, estarão disponíveis cerca de seis mil títulos. “Nos mercados em que temos direitos, vamos sempre puxar pela língua local”, disse Bruce.
Um dos serviços de destaque da plataforma é o “Page Match” — o aplicativo reconhece a página do livro e o leitor pode continuar a ouvir um livro que esteja lendo no volume físico. “As pessoas terminam os livros 2,5 vezes mais rápido do que se não usassem a funcionalidade. 65% desses leitores são jovens. E quando isso acontece, o ecossistema todo se beneficia, porque mais histórias são compartilhadas.”
Bruce destacou em um breve painel após o anúncio que é comum que, após o lançamento em um um novo mercado, há um impulso para aumentar produções locais. “Um padrão que notamos é que em mercados menos maduros, a Não ficção começa mais forte, e em seguida a Ficção passa a ganhar tração”, disse. Raúl Pérez Martínez, head de e-books e audiolivros no Grupo Planeta, concordou com a expectativa. “Isso já acontece na América do Sul”.
*O jornalista viajou com o apoio do CreativeSP, programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e da InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico.


