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Maestro goiano explica porque até cantores famosos precisam de aula de canto

Cidade FM . Cidade FM
19 de outubro de 2026
. Celebridades
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Maestro goiano explica porque até cantores famosos precisam de aula de canto


O público conhece as músicas, acompanha os shows e reconhece a voz dos artistas logo nas primeiras notas. O que poucos sabem é que, mesmo depois de conquistar fama, cantores profissionais continuam precisando de treinamento vocal. Por trás de apresentações, gravações e grandes produções musicais, existem profissionais responsáveis por aperfeiçoar a afinação, controlar o esforço e preservar a identidade de cada voz.

Um deles é o maestro goiano Cláudio Elísio, que construiu carreira na preparação vocal e acumula experiências com artistas como Marcelo Martins, Fred & Fabrício, Munhoz & Mariano, Henrique & Diego, Zé Henrique & Gabriel, Renato Vianna, além de integrantes da banda Malta e músicos do Traia Véia.

Em entrevista concedida à jornalista Fernanda Cappellesso, o profissional explicou que uma voz potente nem sempre representa uma voz tecnicamente eficiente. Segundo ele, até cantores experientes podem utilizar força desnecessária para alcançar determinadas notas.

O desafio não é simplesmente ensinar alguém a cantar mais alto, mas permitir que o artista mantenha a potência, respeite suas características vocais e consiga repetir o desempenho ao longo de diferentes apresentações.

Cantar alto não significa cantar bem

Uma das principais diferenças apontadas pelo maestro está na relação entre potência e esforço. Um cantor pode impressionar o público com notas agudas e volume elevado, mas isso não significa que esteja utilizando a voz da maneira mais eficiente.

Cláudio desenvolveu sua abordagem de ensino em torno da expressão “menos massa, mais timbre”. O conceito busca demonstrar que a qualidade da emissão vocal não depende apenas da força aplicada.

Para explicar o problema, o maestro recorre até ao humor. Em seus conteúdos sobre técnica vocal, compara algumas emissões excessivamente pressionadas à expressão de alguém que faz muita força no banheiro.

A comparação pode provocar risadas, mas envolve uma questão técnica: se o cantor consegue produzir determinada nota com menos esforço, por que utilizar tensão desnecessária?

O preparador explica que o treinamento não tem como objetivo retirar a potência ou modificar o estilo do artista. A proposta é aperfeiçoar o controle vocal sem comprometer as características responsáveis por tornar uma voz reconhecível.

O trabalho com artistas que já conquistaram o público

Entre os profissionais que passaram pela preparação vocal de Cláudio está Marcelo Martins, cantor e compositor que ganhou projeção nacional na dupla João Lucas & Marcelo, responsável pelo sucesso “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”.

Conhecido pela potência da voz, Marcelo representa um exemplo utilizado pelo maestro para demonstrar que até cantores naturalmente potentes podem aperfeiçoar a emissão vocal e reduzir esforços desnecessários.

A dupla Fred & Fabrício também integra a trajetória profissional de Cláudio. Segundo ele, cada artista apresenta necessidades diferentes, que podem envolver preparação para gravações, DVDs, apresentações ou ajustes específicos de técnica.

O trabalho desenvolvido com cantores profissionais nem sempre produz mudanças evidentes para o público.

Em alguns casos, a evolução aparece na capacidade de alcançar determinada nota com menos tensão. Em outros, está no controle da respiração, na manutenção do timbre ou na resistência necessária para cumprir uma sequência de apresentações.

“A voz é um instrumento de manutenção contínua”, afirma o maestro.

A diferença entre uma voz marcante e um vício vocal

O universo sertanejo reúne cantores reconhecidos por características muito particulares. Há vozes roucas, timbres nasais, interpretações rasgadas e artistas que utilizam vibratos como parte da identidade musical.

Para Cláudio, essas particularidades não representam necessariamente problemas que precisam ser corrigidos.

A diferença está no controle.

Quando o artista consegue utilizar determinado recurso de forma consciente, a característica pode integrar sua interpretação. Entretanto, quando não consegue cantar sem reproduzir o mesmo comportamento, o preparador passa a investigar a existência de um hábito vocal que precisa de atenção.

Isso explica por que a preparação de cantores profissionais não segue uma fórmula única.

Cada voz apresenta características próprias, e a técnica precisa considerar tanto as condições individuais quanto as exigências do repertório.

De Pirenópolis aos bastidores da música brasileira

A experiência de Cláudio com dificuldades vocais começou antes de sua atuação como professor.

Criado em Pirenópolis, o maestro convive com a gagueira desde a infância. Quando começou a estudar canto, por volta dos 15 ou 16 anos, também enfrentou problemas de afinação.

Antes de construir carreira na música, trabalhou como ajudante de pedreiro, serralheiro, gesseiro, vendedor e funcionário de lan house, entre outras atividades.

O interesse pela técnica vocal surgiu da necessidade de compreender e superar as próprias limitações.

Com o tempo, descobriu que tinha facilidade para identificar dificuldades na voz de outras pessoas. Em Itaberaí, chegou a reunir mais de 60 alunos ativos.

A experiência como professor abriu caminho para o trabalho com artistas profissionais e ampliou sua rede de contatos no mercado musical.

Redes sociais aproximam o público da técnica vocal

Além da atuação em estúdios e na preparação de cantores, Cláudio utiliza as redes sociais para explicar conceitos que antes circulavam principalmente entre músicos e professores.

Os conteúdos abordam afinação, potência, timbre, respiração e comportamentos que podem interferir no desempenho de um artista.

A linguagem utiliza exemplos práticos e humor para aproximar o público de questões técnicas.

O trabalho também evidencia uma parte da indústria musical que raramente recebe o mesmo reconhecimento destinado aos intérpretes.

Enquanto o cantor ocupa o palco, profissionais de diferentes áreas participam da preparação necessária para que a apresentação aconteça.

A trajetória do maestro mostra que a produção musical de Goiás não se limita aos artistas conhecidos nacionalmente. O estado também forma profissionais que atuam nos bastidores, contribuindo para gravações, apresentações e aperfeiçoamento de cantores.

No caso de Cláudio Elísio, a experiência de quem começou com dificuldades para cantar se transformou em uma profissão dedicada a compreender justamente aquilo que o público nem sempre consegue perceber.

Porque, para quem assiste a um show, uma nota aguda pode representar o ponto mais emocionante da apresentação. Para um preparador vocal, existe outra pergunta: quanto esforço foi necessário para alcançá-la?

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