O presidente interino do Goiás, Munir Calixto Júnior, defendeu uma reformulação em todos os setores do clube para a temporada de 2027. Em entrevista ao jornal O Popular, o dirigente afirmou que pretende quitar os salários atrasados de jogadores e funcionários até o fim de outubro e apontou a necessidade de reorganizar o futebol e as finanças. À frente da instituição há 14 dias, após a renúncia de Aroldo Guidão, Munir permanecerá no cargo até a eleição marcada para 1º de dezembro.
A declaração ocorre em meio às dificuldades do Goiás na disputa pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Após o empate sem gols com o Náutico, o clube passou a depender dos playoffs para conquistar uma vaga na primeira divisão. Apesar do cenário, Munir garantiu que a diretoria continuará a oferecer suporte ao elenco e à comissão técnica. Segundo ele, um empréstimo já foi aprovado para permitir a regularização dos pagamentos. “Até o final do mês todos os salários estarão em dia. Então, tudo estará certo, pago”, afirmou.
Para o dirigente, a recuperação do Goiás exige mudanças que ultrapassam a contratação de jogadores. Ele considera necessário rever o planejamento e adequar as despesas à capacidade financeira do clube. “A minha opinião é reformular em todos os aspectos, todos os setores do Goiás e fazer um trabalho bem-feito, um trabalho com pé no chão para a gente colocar o Goiás pelo menos na Série A em 2028”, declarou ao O Popular.
Munir ressaltou, no entanto, que a responsabilidade pela reformulação será da diretoria eleita em dezembro. O presidente interino também evitou antecipar decisões sobre a permanência do técnico Mozart e a composição do elenco. Como exemplo de planejamento, citou o Mirassol, que conquistou o acesso à Série A sem depender de contratações de jogadores de maior projeção. Para ele, o Goiás precisa priorizar atletas que atendam às necessidades da equipe e manter o equilíbrio entre receitas e despesas.
Ao avaliar a campanha na Série B, o presidente afirmou que os problemas não podem ser atribuídos a um único fator. Munir lembrou que o Goiás também deixou de conquistar o acesso em temporadas nas quais dispunha de mais recursos e defendeu o comprometimento dos atletas, mesmo diante dos atrasos salariais. O dirigente também saiu em defesa do presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Rogério Pinheiro, alvo de críticas pela situação do clube.
Com quase 28 anos de participação no Conselho do Goiás, Munir assumiu a presidência por determinação estatutária, por ser o vice-presidente de maior idade. Ele afirmou que sua prioridade até dezembro será regularizar as obrigações financeiras e entregar o clube em condições de iniciar o planejamento da próxima temporada. “Agora, é falar menos e trabalhar mais”, concluiu.


