O Spotify retirou dos seus sistemas de recomendação mais de 50 milhões de músicas consideradas spam ou conteúdos artificiais de baixa qualidade. Segundo a plataforma, que anunciou a medida a 20 de Outubro, o objectivo é melhorar a descoberta musical e dar mais destaque ao trabalho de artistas humanos.
A decisão faz parte de um conjunto de alterações às regras de selecção e recomendação de conteúdos, numa altura em que o uso crescente da inteligência artificial (IA) na produção musical levanta problemas de qualidade das faixas, de distribuição de conteúdos repetitivos e de promoção de músicas nas plataformas digitais.
Para identificar conteúdos suspeitos, o Spotify diz combinar vários indicadores: as reacções dos ouvintes, as denúncias recebidas, os padrões de carregamento, os metadados das faixas e ferramentas de detecção de IA desenvolvidas por terceiros.
A empresa ajustou também os critérios de descoberta musical e de selecção editorial para reduzir a exposição a conteúdos classificados como spam ou produção artificial de baixa qualidade. Segundo a plataforma, estas alterações levaram a uma redução significativa das queixas sobre este tipo de música nas recomendações.
Entre as medidas está ainda o distintivo “AI Persona”, que identifica artistas com identidades inteiramente artificiais, sem correspondência a pessoas reais. As músicas associadas a estes perfis ficam excluídas dos sistemas de recomendação do serviço.
A iniciativa dá continuidade a outras acções contra o spam musical. Em 2025, o Spotify anunciou ter removido mais de 75 milhões de faixas identificadas como spam, para travar práticas abusivas e melhorar a experiência dos utilizadores.
Outras plataformas têm adoptado medidas semelhantes. O YouTube Music começou a identificar conteúdos produzidos com IA, e o Deezer disponibiliza ferramentas que permitem aos utilizadores filtrar esse tipo de música.
Apesar do reforço dos controlos, o Spotify não pretende afastar a IA da criação musical. A empresa mantém colaborações com a Universal Music Group e com a editora independente Believe para desenvolver ferramentas de criação de remisturas com recurso a esta tecnologia.
As medidas mostram a tentativa das plataformas de streaming de separar os conteúdos abusivos ou de baixa qualidade das utilizações criativas da IA, num mercado musical cada vez mais influenciado por ferramentas automatizadas de produção.
Fonte: Pplware


