“Portugal deu-me as bases, e o Reino Unido acrescentou outras experiências e influências. Ambos fazem parte da minha identidade e contribuíram para o artista que sou hoje”, explica à BANTUMEN.
Por volta de 2013, quando cantava e fazia rap sobretudo em inglês, recebeu uma proposta de uma editora canadiana. Um amigo aconselhou-o a explorar primeiro a cena musical de expressão portuguesa, argumentando que deveria conhecer as possibilidades do mercado ao qual também pertencia culturalmente. A conversa levou-o a formar os ExL e a experimentar a kizomba. Em 2016, a colaboração do grupo com DJ Waldo em “Vou Te Pegar” levou-o a um público mais vasto e abriu-lhe contactos com outros artistas e profissionais da indústria musical.
À medida que o grupo ganhava visibilidade, LLAY sentia crescer a distância entre a música que fazia e aquela que queria construir. Trabalhar com DJ Waldo implicava adaptar-se à visão criativa de outra pessoa, algo que, admite, nem sempre lhe foi fácil. Na kizomba e nos afrobeats, as palavras nem sempre surgiam com naturalidade; quando regressava ao R&B alternativo, com influências de trap, a escrita fluía e, por vezes, uma canção completa ficava pronta em quinze minutos.
“Podia fazer uma ou duas músicas naquele estilo, mas não conseguia imaginar toda a minha carreira à volta dele. Não me realizava criativa nem espiritualmente”, recorda. Dos anos com os ExL ficou-lhe o conhecimento de como funciona a indústria e a certeza de que o reconhecimento comercial não lhe bastaria se não se identificasse com o que estava a criar.
Em 2019, numa passagem por Portugal para gravar um videoclipe com DJ Pausas, voltou a cruzar-se com NGA, que estava noutra rodagem. Apresentou-se e recordou-lhe o espetáculo do Centro Lúdico em que, ainda criança, lhe tinha aberto o palco. NGA não se lembrava do episódio, e os dois ficaram-se pelos cumprimentos.
O contacto profissional chegou no ano seguinte, durante a pandemia. Chilala, amigo de NGA, acompanhava as demonstrações de mistura e masterização que LLAY publicava no Instagram, e foi por sua recomendação que o rapper angolano o contactou. “Relationship Goals” esteve entre os primeiros temas em que trabalharam juntos e ajudou a consolidar a confiança entre ambos. Seguiram-se outros projetos com NGA e a Força Suprema, incluindo o primeiro álbum de Monsta e, mais recentemente, A Prenda 4, cuja mistura e masterização ficaram a seu cargo.


