
(foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press e Nelson Almeida/AFP)
A final da Copa Sul-Americana entre Atlético e Boca Juniors escancarou uma profunda disparidade logística no transporte dos torcedores rumo a Barranquilla, na Colômbia. Enquanto os fãs xeneizes contam com um verdadeiro privilégio de mobilidade — garantido por uma megaoperação aérea de oito voos diretos partindo de Buenos Aires —, a torcida atleticana tem garantida, até o momento, apenas uma aeronave fretada de 60 lugares para os integrantes de organizada responsáveis pelos instrumentos de bateria.
O duelo decisivo será disputado no sábado, 21 de novembro, às 19h30 (horário de Brasília), no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez. A disparidade de tratamento logístico virou tema central nos preparativos da decisão continental.
A megaoperação de voos para os argentinos
A estrutura de transporte para a torcida do Boca Juniors foi consolidada após novos anúncios das companhias aéreas Avianca e LA megaoperação de voos para os argentinos
A estrutura de transporte para a torcida do Boca Juniors foi consolidada após novos anúncios das companhias aéreas Avianca e Latam, contando com o apoio e a celebração direta do prefeito de Barranquilla, Alejandro Char:
“Com mais voos a partir da Argentina, a Avianca se junta à grande festa da Sul-Americana que viveremos em nossa cidade! Da nova sala de imprensa do nosso Supermetrô, anunciamos com a Avianca dois voos diretos de Buenos Aires para os dias 19 e 20 de novembro, aviões de maior capacidade entre Argentina e Bogotá e seis voos adicionais entre Bogotá e Barranquilla para facilitar a chegada dos torcedores. Contar com aliados que apostam em nossa cidade e nos ajudam a mostrar ao mundo tudo o que temos para oferecer nos enche de muita alegria. Aqui os esperamos a todos, esta é a vossa casa!”, declarou o mandatário colombiano.
Com os novos anúncios, a malha aérea voltada aos argentinos consolida-se em:
- Latam: 6 voos diretos e fretados partindo de Buenos Aires nos dias 20 e 21 de novembro, com escala técnica em Lima (sem necessidade de troca de aeronave).
- Avianca: 2 voos diretos sem escalas partindo da capital argentina nos dias 19 e 20 de novembro, além do uso de aeronaves widebody (Boeing 787 para 291 passageiros) até Bogotá e a inclusão de 6 frequências adicionais na malha interna para Barranquilla.
Para absorver a chegada em massa dos visitantes, a prefeitura de Barranquilla também ampliou a estrutura do Aeroporto Internacional Ernesto Cortissoz, elevando os guichês de imigração de três para 18 postos de atendimento 24 horas.

Jornal aponta que Galo ‘deixou torcida na mão’
A disparidade no suporte aéreo repercutiu na imprensa internacional. O tradicional jornal argentino Olé publicou reportagem destacando a situação e afirmou que o Atlético “le soltó la mano a sus hinchas” (expressão traduzida como “deixou seus torcedores na mão”) ao não viabilizar voos fretados em larga escala para a decisão.
O veículo lembrou que a diretoria alvinegra costumava organizar subsídios em decisões internacionais — a exemplo da final da Sul-Americana de 2025, contra o Lanús, em Assunção — e questionou se o facilitação logística fará com que o Boca Juniors jogue “em casa” no Roberto Meléndez.
O periódico apontou ainda que os custos elevados das passagens no Brasil e a receptividade dos torcedores locais aos argentinos devem garantir maioria xeneize nas arquibancadas.
Tentativa em Belo Horizonte e custos de fretamento
Em Belo Horizonte, o cenário gerou mobilização política e institucional. O prefeito Álvaro Damião questionou publicamente o favorecimento logístico a Buenos Aires e iniciou tratativas com a diretoria do Atlético e com a Azul Linhas Aéreas para viabilizar voos diretos partindo do Aeroporto Internacional de Confins.
No entanto, o projeto esbarrou em custos inflacionados. Cotações realizadas pelo Atlético indicaram valores de até US$ 900 mil (cerca de R$ 4,5 milhões) para o fretamento de aviões de grande porte, tornando inviável uma operação comercial de larga escala viabilizada pelo clube.
Diante do orçamento proibitivo, o Atlético e o Instituto Galo captaram R$ 500 mil em patrocínios com parceiros comerciais (incluindo o Clube dos 113) para custear exclusivamente o voo de 60 integrantes da bateria.
Os demais atleticanos — entre os mais de 8 mil que adquiriram bilhetes para o setor exclusivo do clube — precisam viajar por conta própria em voos regulares com conexões por São Paulo, Bogotá ou Panamá. Para quem permanecer em Minas Gerais, o clube confirmou a transmissão da partida na esplanada da Arena MRV.


