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Nelson Motta ‘sincerão’: traição de Elis Regina, pavor de sertanejo e namoro à distância

Cidade FM . Cidade FM
12 de outubro de 2026
. Celebridades
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Nelson Motta ‘sincerão’: traição de Elis Regina, pavor de sertanejo e namoro à distância


Nelson Motta, 81 anos, é daqueles personagens que não apenas atravessaram a história da música brasileira, mas ajudaram a escrevê-la. Jornalista, compositor, escritor e produtor, esteve no centro de algumas das grandes transformações da MPB, desde a efervescência da Bossa Nova e da Tropicália até as reinvenções sonoras nas décadas seguintes. Com olhar atento para o novo e disposição para provocar, Nelson é convidado do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku). Assista.

(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)

ELIS REGINA EM VERSÃO REMIX. “Sou uma espécie de pai, padrinho afetivo do João Marcelo Bôscoli. Ele nasceu na diferença de dias da minha filha Joana, adoro esse moleque desde pequeno, ele é tudo de bom. Ontem mesmo falou comigo. Acompanho a trajetória dele, a seriedade, a cultura técnica que tem. O cara fundou uma gravadora, é ousado, tem amor à música e paixão pela mãe. Quem tem amor à música tem paixão por Elis Regina. Ele tem feito um grande trabalho de restaurar, de manter viva a obra da Elis. Sorte da Elis ter um filho assim”.

A BRIGA DERRADEIRA. “Nunca tive uma briga com Elis. Zero. Dois LPs, ou seja, uma vida trancada no estúdio com a Elis Regina, discutindo arranjos, timbres, sonoridades, voz, ritmos, levadas, orquestra, não orquestra. Zero, nunca tivemos uma briga, um bate-boca. Só tivemos uma briga feia no rompimento do namoro. Isso é outra coisa, né? Mas no papel de produtor e ela de artista, nada. E sabe por que não teve briga? Porque me coloquei a serviço da Elis”.

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AMANTE DE ELIS. “Bom, a reação pública (do Ronaldo Bôscoli) é o que posso saber, já a reação pessoal é impossível. Ele ficou bem bravo (pela traição de Elis com Nelson), com toda a razão. Ronaldo foi uma espécie do meu mentor, quando comecei no jornalismo já era fã do Ronaldo, queria ser o Ronaldo. Ele namorava todas aquelas mulheres, fazia letras de música, era jornalista conhecido, meio playboy, tinha sacadas espetaculares. E isso influenciou nessa atração pela Elis. Na verdade, eu e a Elis nos apaixonamos por um projeto, por uma mesma coisa. Nós nos apaixonamos por aquele disco que estávamos fazendo, que ia ser uma virada na carreira dela. É isso deu muito trabalho. Elis estava brigada com todo mundo. Pedi ao Caetano (Veloso) em Londres uma música para Elis. Pedi ao Gil também. Eles foram super generosos, fizeram ótimas músicas para Elis”.

OVERDOSE NA MPB. “Ela (Elis) estava morando em São Paulo e o Ronaldo Bastos, grande letrista, me falou: ‘ela está cheirando feito louca’. Falei: ‘Meu Deus do céu, a essa altura da vida?’. Porque houve um tempo, artistas, todo mundo caiu de nariz na lama. Mas saíram. Elis estava entrando atrasada, quando todo mundo já tinha saído daquela primeira onda da curiosidade. O que sei da história é que a cocaína faz mal para tudo. Para o corpo, a alma, o pulmão, as artérias, tudo. Sobretudo faz mal à garganta. E garganta é instrumento de trabalho. Imagina fazer um seguro de vida na garganta da Elis? Então, ela provavelmente deve ter sentido que a cocaína estava ameaçando a garganta e passou, em vez de cheirar, a misturar com whisky. Uma fatalidade, né? Ela era uma pessoa cheia de vida”.

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DROGA DO DIABO. “Não (foi fácil largar), estava infeliz. Porque é uma coisa horrível, como diz Paulo Coelho, a droga do diabo. A coisa faz um mal horrível, especialmente para sua mente, para o seu psiquismo e faz um grande mal socialmente também. Você convive com as piores pessoas, traficante, gente horrorosa”.

BRIGA DE HERDEIROS DE ERASMO CARLOS. “Erasmo achava que era imortal, e é mesmo. Enquanto estiverem ouvindo, cantando as músicas dele, ele estará vivo. Essa é a minha teoria metafísica sobre a permanência de alguns artistas. Fico triste com isso (brigas), porque adoro o Léo (filho de Erasmo). Menino de ouro, conheço desde garoto. Erasmo e eu tínhamos quatro músicas juntos. Inclusive, uma delas é das minhas top five, Noturno Carioca. Que música linda, meu Deus do céu. Grande orgulho dessa música. (…) Como diz Arnaldo César Coelho, a regra é clara. Eu já fui casado, já fiz união estável. As pessoas têm que pensar nas consequências. A pessoa que viveu tanto tempo ganha status de companheira. Se tivesse feito contrato de união estável, que é praticamente casamento, ela não seria herdeira natural dele. Agora, não sei, advogado que sabe disso. Tomara que se resolva. Acho que cada um merece uma parte”.

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SERTANEJO X POLÍTICA. “Olha, ali no governo Collor, o que ficou na minha cabeça: foi a época de hegemonia máxima do sertanejo. O problema com o sertanejo não era artístico. É porque o sertanejo dominou de tal forma o rádio, a TV, a imprensa, as páginas de música, como nunca houve na música brasileira um gênero musical tão hegemônico. Não havia espaço para nada mais, a não ser sertanejo. E depois aí começou o axé, as coisas foram mudando e o sertanejo. Mas não sou ouvinte de sertanejo”.

ZEZÉ DI CAMARGO. “Deus me livre. Reconheço que ele canta muito. (Está sem voz agora. Não está cantando tanto). Sorte do público, né? Agora, esse cara é de uma pretensão, de uma falta de educação. Já tive alguns problemas com ele, mas ele levou uma boa mijada também. Foi quando teve o filme Dois Filhos de Francisco. Conheci o Breno Silveira, grande diretor. Roteiro da minha comadre, Patrícia Andrade. Fui ver o filme em atenção a eles. Adorei. O filme era ótimo, né? Aí eles usaram isso, saiu no jornal que eu tinha gostado do filme. Aí esse bobalhão vai para o jornal: ‘Ah, até o Nelson Motta se curvou’. Falei: ‘Curvou o quê? O filme teria sido muito melhor se não tivesse música’. Respeito todo mundo, mas esses troços não deixo passar batido, porque as pessoas têm que ser educadas. Esse cara é muito mal educado”.

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A DOÇURA DE MARISA MONTE. “Nossa relação é maravilhosa. Ficamos muito próximos. Diogo Pires Gonçalves, marido da Marisa, é meu empresário desde o ano 2000, quando voltei dos Estados Unidos. É uma amizade que se estende ao casal, aos filhos, à família toda. É uma gente adorável. O (momento) mais emocionante é o show de estreia dela no Jazzmania, no Arpoador, 200 lugares, de vista para o mar. Um monte de artistas, empresários, jornalistas, todo mundo lá para ver a grande novidade, uma menina de 20 anos. Foi o primeiro show da Marisa e ela arrasou. Não sei se arrasou mesmo, porque nem ouvi direito, mas pela reação do público, deve ter arrasado, aquilo ficou marcado para sempre. Nasce uma estrela. O resto é a história. Marisa tem tanta certeza da posteridade, que vai ser estudada, cultuada. Que guarda tudo sobre ela. Tipo Rita Lee. Rita tinha dois quartos enormes em todas as casas dela, só com os figurinos. Virou exposição. Gal Costa também tinha um galpão de roupas, 300 sapatos… Daniela Mercury tem dois depósitos enormes. Elas têm certeza que vão ser estudadas, para facilitar a vida dos biógrafos”.

NAMORO À DISTÂNCIA. “Temos, na verdade, 3 anos e meio juntos, talvez até mais. Ela mora em Porto Alegre, eu no Rio. A gente sabia disso desde o início. E resultou numa relação difícil pela distância, mas saudável, porque a gente só tem o filé mignon. Falei desde o início: ‘que a nossa vida seja eterna enquanto dure, que seja uma sucessão de luas de mel’. E assim tem sido. Vou lá, fico na casa dela, uma casa linda, ela cuida de tudo, não faço nada, fico ali de sultão, é uma maravilha. Quando ela vem para a minha casa no Rio, é meio bagunçada, mas é alegre, é carioca. Em frente à praia, ela se diverte, não faz nada. Ali tem comidinha na boca, levo para passear. A gente fala todo dia no telefone, normal, quero saber da vida dela, ela quer saber da minha, a gente tem muita participação na vida um do outro. Isso gera também um enorme respeito pela privacidade alheia. Ela tem a vida dela lá, eu tenho minha vida aqui. Vê lá se vou me preocupar com o que a Pati está fazendo em Porto Alegre? Pelo amor de Deus. A mulher trabalha, tem o dinheiro dela, filha, casa para cuidar, pode fazer o que quiser. Não quero saber. E ela também”.

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ÔNUS DA VELHICE. “Outro dia vi o Mick Jagger, que está um espetáculo, com 83 anos, todo seco, dançando, aquele humor, aquela ironia. O entrevistador perguntava a ele: ‘Mas o que há de bom ali na velhice?’ E ele: ‘Não há nada de bom em ficar velho’. Também não tenho certeza se a gente melhora, continuo normal, fazendo letra de música, escrevendo livro, posts no Instagram, tenho uma vida ativa online, quase 300.000 seguidores”.

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).



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