O futebol é capaz de criar coincidências que parecem roteiro de ficção. Na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro, o Goiás terá pela frente uma sequência de desafios em que passado, rivalidade e matemática se misturam. Na terça-feira (27), o Esmeraldino visita o Ceará, no Castelão, pela 35ª rodada, em um confronto que pode reaproximar o time goiano da briga pelo acesso ou tornar a missão praticamente impossível.
A partida coloca frente a frente dois treinadores que conhecem bem o adversário. Do lado cearense, Daniel Paulista, ex-comandante do Goiás, pode se transformar em um obstáculo decisivo para o sonho esmeraldino de disputar os playoffs do acesso. No banco alviverde, Mozart Santos reencontra justamente o Ceará, clube que dirigiu antes de assumir a equipe goiana.

Os objetivos, porém, são diferentes. Para o Vozão, a vitória pode garantir matematicamente a permanência na Série B de 2027. Para o Goiás, conquistar os três pontos é uma obrigação para continuar alimentando as chances mínimas de chegar ao G-6. Depois do empate sem gols com o Náutico, o time esmeraldino desperdiçou uma oportunidade importante de encurtar a distância para os concorrentes com uma rodada totalmente favorável, e agora precisa fazer uma reta final perfeita.
Daniel Paulista pode colocar uma pedra no caminho do ex-clube
A presença de Daniel Paulista acrescenta um ingrediente especial ao confronto. O treinador, que já esteve à frente do Goiás, agora tem a possibilidade de dificultar ou colocar uma pedra no sonho do antigo clube rumo à elite do futebol brasileiro.

Uma vitória do Ceará na terça (27) não apenas ajudaria a equipe a alcançar seu objetivo na competição, que é escapar de vez de rebaixamento, como também poderia deixar o Esmeraldino em uma situação ainda mais delicada na luta pela classificação. Para o Goiás, o reencontro com o ex-técnico acontece em um momento no qual qualquer tropeço pode ter consequências definitivas.
Do outro lado, Mozart Santos conhece o ambiente e as particularidades do Ceará, seu antigo clube. Agora, precisa encontrar o caminho para vencer no Castelão e evitar que a equipe goiana encerre a rodada ainda mais distante do objetivo. O Goiás é o 9º colocado com 49 pontos, cinco atrás do G-6, restando 12 pontos em disputa.
Atlético pode ser o algoz ou o aliado do Goiás?
Se o duelo contra o Ceará já reserva uma história particular, a matemática da reta final acrescenta outro personagem à disputa: o Atlético.

O Dragão ocupa uma posição importante na corrida pelo G-6 e pode se tornar o principal obstáculo para uma reação esmeraldina. Caso vença seus compromissos restantes, o rival praticamente inviabilizará as chances de o Goiás alcançar uma vaga nos playoffs, dependendo também, obviamente, dos resultados dos demais concorrentes que integram o grupo hoje. O único matematicamente inalcançável para o Verdão é o líder Vila Nova, que tem 62 pontos e o alviverde só pode chegar a 61.
A situação, no entanto, não é nada simples. O Atlético ainda terá pela frente Novorizontino e Fortaleza, adversários que também estão envolvidos na disputa por objetivos na competição. Se essas equipes perderem pontos nas rodadas finais, poderão entrar no alcance do Goiás em um cenário improvável, porém, no qual o time de Mozart precisaria vencer todos os seus jogos restantes.

É uma combinação do tipo ‘papo de milagre’ mesmo, mas que mantém aberta uma pequena possibilidade matemática. Hoje, cálculos da UFMG dão 5,3% de chances do Goiás chegar ao G-6. O problema é que o Verdão não depende apenas do próprio desempenho: precisa vencer e torcer por uma sequência de resultados favoráveis.
Se o Atlético, atual sexto colocado com 54 pontos, continuar subindo na pontuação, ajudará a fechar a porta para o rival da Serrinha. Entretanto, se tropeçar e permitir que outros concorrentes percam terreno, poderá dar ao Esmeraldino uma sobrevida na disputa.
Confrontos diretos
Além de observar o desempenho do Atlético e dos demais concorrentes, o Goiás ainda terá confrontos diretos contra CRB e Sport até o fim da Série B. Esses jogos representam oportunidades importantes, porque vitórias esmeraldinas podem reduzir a distância para adversários que estão na mesma briga.

Nesses duelos, o time goiano terá a possibilidade de interferir diretamente na classificação dos rivais. Ainda assim, vencer os confrontos diretos não será suficiente se os concorrentes mantiverem um aproveitamento superior nas demais partidas.

O Goiás precisa transformar os jogos restantes em uma sequência de vitórias e, paralelamente, secar quem está à sua frente. Será que ainda dá para o Verdão nesta Série B?
Jogos restantes do Goiás na Série B: Ceará (F), CRB (C), Ponte Preta (C) e Sport (F).


