Por Matheus Braga
· 3 min de leitura
A disputa acirrada entre os clubes goianos na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro não se restringe à tabela de classificação e à briga pelo acesso à Série A. Enquanto Vila Nova, Atlético-GO e Goiás medem forças ponto a ponto nas quatro rodadas derradeiras da primeira fase, um raio-x financeiro divulgado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) revelou contrastes profundos nos bastidores: o Tigre é o clube com o maior endividamento entre os três representantes do estado, somando R$ 155 milhões em passivos.
Logo atrás no ranking estadual aparece o Goiás Esporte Clube, que acumula um montante de R$ 114 milhões em débitos. No extremo oposto, o Atlético-GO se destaca pela gestão mais enxuta, ostentando um passivo de R$ 42 milhões — o menor entre os rivais locais.

O contraste entre a tabela de pontos e o ranking de dívidas
Dentro das quatro linhas, a campanha reflete ambições distintas para o fechamento da competição:
- Vila Nova: lidera a Série B com 62 pontos e é o principal candidato ao título e à vaga direta, mas lidera com folga o passivo financeiro em Goiás (27º colocado no ranking nacional de endividamento da Anresf);
- Atlético-GO: abre a faixa de classificação aos playoffs na sexta posição, com 54 pontos, sustentando simultaneamente a saúde financeira mais controlada (33º no país, com R$ 42 milhões);
- Goiás: ocupa a nona colocação com 49 pontos na tentativa de emplacar uma arrancada para encostar no G-6, enquanto administra uma dívida de R$ 114 milhões (28º lugar nacional).
O levantamento do endividamento dos clubes goianos
O estudo elaborado pela Anresf considera as 40 agremiações que disputam as Séries A e B do futebol brasileiro:
| Clube | Posição na Série B | Posição no Ranking de Dívidas | Dívida Total (R$) |
| Vila Nova | 1º (62 pts) | 27º lugar | R$ 155 milhões |
| Goiás | 9º (49 pts) | 28º lugar | R$ 114 milhões |
| Atlético-GO | 6º (54 pts) | 33º lugar | R$ 42 milhões |
Fair play financeiro e a metodologia da Anresf

Os números apresentados fazem parte de um sistema de monitoramento econômico desenhado para acompanhar a sustentabilidade e a responsabilidade de gestão no futebol nacional:
- Critérios contábeis: o órgão compilou os balanços financeiros oficiais fechados em 31 de dezembro de 2025 somados às declarações periódicas de compromissos em atraso enviadas pelas próprias diretorias;
- Obrigações reais de desembolso: o cálculo exclui adiantamentos de receitas e foca exclusivamente no passivo que as diretorias precisam efetivamente quitar para manter as operações e salários em dia;
- Transparência e conformidade: os dados fundamentam a fiscalização das diretrizes de sustentabilidade financeira no Brasil, exigindo equilíbrio orçamentário mesmo diante de investimentos esportivos agressivos.
A quatro rodadas do término da Série B, o contraste evidencia que o sucesso esportivo e o equilíbrio fiscal nem sempre caminham lado a lado, desafiando as administrações de Goiânia a planejar 2027 com rigor orçamentário independentemente da divisão em que atuarem.
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