
(foto: Divulgação/CBF)
A reta final da temporada 2026 reserva um ingrediente de alta tensão. Enquanto o mata-mata da Copa do Brasil se aproxima da definição do campeão e do vice, a tabela do Brasileirão impõe um cenário que pode mudar o destino dos finalistas do torneio. A depender do desfecho do Z4, os clubes que chegarem à decisão podem ser impedidos de disputar a Copa Libertadores de 2027.
O motivo não está em nenhuma brecha do regulamento local, mas sim em um pilar intransigente do Manual de Clubes da Copa Libertadores.
O que diz o regulamento da Conmebol?
Segundo o capítulo de elegibilidade do documento oficial da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), a admissão dos clubes participantes depende do cumprimento obrigatório de quatro requisitos acumulativos. O primeiro deles é claro:
Artigo 3.6 (a):“Ter se qualificado para a competição por mérito esportivo; Como regra geral, os clubes participantes deverão pertencer — em todos os casos — à competição da Divisão Principal da Associação-Membro no ano em que a competição continental para a qual se classificaram é disputada.”
Na prática, isso significa que a qualificação obtida em 2026 é para a edição da Libertadores de 2027. Se o campeão e/ou o vice da Copa do Brasil forem rebaixados no Brasileirão ao fim desta temporada, em 2027 estarão disputando a Série B — o que viola frontalmente a exigência da Conmebol de pertencer à divisão de elite no ano da disputa do torneio continental.
O drama de Vasco e Grêmio nas semifinais
O cenário ganha contornos dramáticos ao olhar para o chaveamento da Copa do Brasil. Vasco e Grêmio figuram entre os semifinalistas, mas entram em campo com a calculadora na mão devido à situação delicada na Série A do Brasileirão.
- Vasco: ocupa a 15ª colocação, com 35 pontos em 30 jogos disputados, ainda flertando perigosamente com o Z4.
- Grêmio: vive situação ainda mais crítica, pois está dentro do Z4. É o 18º colocado, com 31 pontos em 31 partidas.
Pelo chaveamento, o Tricolor Gaúcho mede forças com o Atlético, enquanto o Cruz-Maltino enfrenta o Palmeiras. Ainda que mineiros e paulistas ostentem o favoritismo pelo momento que vivem, a dinâmica do mata-mata costuma ignorar prognósticos.
Caso Vasco e Grêmio desbanquem os favoritos e cheguem à final garantindo vaga continental (seja na fase de grupos para o campeão ou na fase prévia para o vice), mas terminem o Campeonato Brasileiro entre os quatro últimos colocados, o posto na Libertadores de 2027 não poderá ser utilizado por eles.
Para onde iriam as vagas em caso de rebaixamento?
Se o campeão e o vice-campeão da Copa do Brasil forem impedidos de disputar a Libertadores por queda à Série B, as vagas serão redistribuídas pela classificação do Campeonato Brasileiro da Série A. Isso ampliaria a zona de classificação do Brasileirão, transformando o G6 em G7, G8 ou até G9, expandindo a distribuição das fases prévias até posições inferiores da tabela.
Com o afunilamento das duas competições, a margem de erro para cariocas e gaúchos é nula: além do sonho do título, a própria sobrevivência na elite é pré-requisito obrigatório para não transformar a conquista em uma frustração continental.
De beneficiados no passado ao veto recente
Antes da mudança no regulamento sul-americano, era possível ver equipes de divisões inferiores na elite continental graças às copas. O Brasil colecionou participações históricas de clubes que jogaram a Libertadores enquanto disputavam a Série B:
- Criciúma (1992): campeão invicto da Copa do Brasil de 1991 sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o Tigre disputou a Série B do Campeonato Brasileiro em 1992 no mesmo ano em que fez uma campanha histórica na Copa Libertadores, alcançando as quartas de final do torneio continental.
- Santo André (2005): campeão da Copa do Brasil de 2004, o Ramalhão disputou a Libertadores da América no ano seguinte figurando na segunda divisão nacional.
- Paulista de Jundiaí (2006): vencedor surpreendente da Copa do Brasil de 2005, o clube paulista levou a sua tradicional camisa para os gramados sul-americanos enquanto jogava a Série B.
- Palmeiras (2013): conquistou a Copa do Brasil de 2012 de forma invicta, mas acabou rebaixado no Brasileirão no mesmo ano, disputando a Libertadores em 2013 como integrante da segunda divisão.
Fora do Brasil, um caso emblemático recente foi o do Patronato. O clube surpreendeu ao conquistar a Copa da Argentina de 2022 eliminando gigantes como River Plate e Boca Juniors. O título garantiu uma vaga inédita na fase de grupos da Libertadores de 2023 — justamente no mesmo ano em que a equipe integrava a Primera B Nacional (Segunda Divisão Argentina).
Na prateleira dos prejudicados recentes pelo novo critério está o General Caballero JLM, campeão da Copa do Paraguai em novembro de 2025. Originalmente, o time teria o direito de disputar a Copa Libertadores de 2026, mas acabou impedido em razão do rebaixamento no Campeonato Paraguaio no mesmo período.


