O Goiás Esporte Clube terá um novo presidente na virada do ano. A eleição está marcada para 1º de dezembro e definirá quem comandará o clube no triênio 2027-2029. Recentemente, uma mudança estatutária extinguiu o Conselho de Administração e devolveu ao Verdão a figura do presidente executivo. Aroldo Guidão Filho, que presidia o antigo conselho, assumiu a função, mas renunciou poucas semanas depois. Em seu lugar entrou o advogado Munir Calixto Júnior, conselheiro de longa data, que ocupa o cargo de forma provisória. Nos bastidores, a situação trabalha com nomes como o próprio Munir, Joaquim Edson e Geraldo Costa Ferreira Neto, todos ligados à atual estrutura de poder do clube.
A oposição também deseja participar do processo eleitoral, mas enfrenta uma barreira que, na prática, pode inviabilizar uma candidatura: a necessidade de reunir 50 assinaturas entre os 250 integrantes do Conselho Deliberativo. Há muito tempo, o sistema eleitoral do Goiás deixou de representar uma disputa verdadeiramente democrática. O poder permanece concentrado em um mesmo grupo, que atravessou as gestões de Hailé Pinheiro, de seu sobrinho Edminho Pinheiro e agora de Paulo Rogério Pinheiro, filho de Hailé.
A composição do conselho, historicamente influenciada pela família Pinheiro, favorece a continuidade política. O resultado é um ambiente em que a oposição encontra enormes dificuldades para construir uma alternativa. A eleição acaba sendo, quase sempre, uma formalidade para referendar o candidato escolhido pela situação.
Mas, independentemente de quem seja o escolhido, uma coisa é certa: o futuro presidente do Goiás terá uma verdadeira bomba nas mãos. O clube atravessa o momento mais delicado de sua história recente, tanto dentro quanto fora de campo. Na Série B do Campeonato Brasileiro, restando quatro rodadas, as possibilidades de acesso são remotas. O cenário mais provável é a permanência na segunda divisão, o que representaria o quarto ano consecutivo longe da elite nacional. Para uma instituição que já foi referência no futebol do Centro-Oeste, trata-se de uma realidade preocupante, que evidencia a perda de protagonismo e a dificuldade de encontrar um caminho para a reconstrução.
O problema, porém, vai muito além dos resultados esportivos. O Goiás vive uma situação financeira extremamente preocupante. O clube passou a depender de empréstimos, antecipações de receitas e operações que comprometem recursos futuros. Na negociação envolvendo a formação de uma liga, recebeu e já gastou receitas de um contrato de 50 anos. Depois vieram operações milionárias, incluindo um empréstimo de R$ 25 milhões e outro de R$ 10 milhões.
Medidas que podem aliviar momentaneamente o caixa, mas não resolvem o desequilíbrio estrutural. O dinheiro entra, as despesas continuam e, em pouco tempo, surge novamente a necessidade de buscar recursos. A grande pergunta é: de onde virá o dinheiro para sustentar o Goiás na temporada 2027?
O futebol brasileiro mudou, ficou mais caro, mais competitivo, profissional e passou a exigir uma capacidade de investimento que o Goiás não conseguiu acompanhar. Enquanto outros clubes se organizaram, ampliaram receitas e modernizaram seus modelos de gestão, o Verdão perdeu terreno. Basta lembrar que, na década de 1990, o Goiás chegou a ocupar uma posição de destaque superior à do então Atlético Paranaense no cenário nacional. Hoje, quando comparamos as equipes, encontramos um verdadeiro oceano entre as duas instituições. A diferença não está apenas nos resultados dentro de campo, mas principalmente na capacidade de gestão, no patrimônio, na organização e nas perspectivas de crescimento.
Também preocupa a deterioração da relação entre o Goiás e seu torcedor. A confiança foi substituída pela desilusão. O esmeraldino já não olha para o futuro com o mesmo entusiasmo de outros tempos. Pelo contrário, acompanha sucessivas temporadas de frustrações, promessas não cumpridas e decisões administrativas que não conseguem recolocar o clube no caminho das conquistas.
Até mesmo o patrimônio, durante décadas motivo de orgulho, perdeu parte de sua vantagem competitiva. O centro de treinamento, por exemplo, já não representa o diferencial de outros tempos. Hoje, Vila Nova e Atlético-GO contam com estruturas mais enxutas, modernas em determinados aspectos e funcionais, enquanto o Goiás precisa rever investimentos, manutenção e planejamento de seu próprio patrimônio.
É diante desse cenário que o futuro presidente assumirá o comando do Goiás Esporte Clube. Não receberá um clube organizado, financeiramente equilibrado e pronto para disputar grandes conquistas. Encontrará dificuldades de caixa, receitas futuras comprometidas, um futebol enfraquecido, estruturas que precisam de atenção e uma torcida cansada de decepções. Será um enorme abacaxi para descascar.
Mais importante do que escolher um nome de confiança do grupo político dominante, seria encontrar alguém com capacidade administrativa, coragem para tomar decisões difíceis e independência para romper com práticas que contribuíram para a situação atual. O Goiás não precisa apenas de um novo presidente. Precisa de um novo rumo. Caso contrário, mudará o ocupante da cadeira, mas continuará convivendo com os mesmos problemas que o levaram a essa situação.


