T
em a música que parece contar a sua vida, o artista que rendeu amizades e aquela playlist que consegue explicar seu humor melhor do que qualquer mensagem. Para quem vive tudo isso, o entretenimento ocupa um espaço importante na maneira de se apresentar ao mundo e a gente aqui da CAPRICHO sabe bem disso.
Mas o Culture Next 2026, relatório do Spotify sobre a geração Z, mostrou isso com dados e ajuda a gente ainda mais a entender como é essa relação dos fãs com os artistas e como fazer parte de um fandon – de diversas formas – é parte essencial de construir a sua personalidade, identidade e visão de mundo.
O estudo é feito a nível global mas, na edição brasileira, a pesquisa explora como esses interesses acompanham diferentes momentos da juventude. Enquanto marcos tradicionais da vida adulta são adiados ou reinventados, os hobbies, as comunidades de fãs e os conteúdos favoritos ganham peso na construção da identidade já na adolescência.
É aquela coisa: sabe quando você conhece alguém, descobre que a pessoa ama o mesmo artista e já encontra assunto para horas de conversa? É desse tipo de conexão que o estudo também trata.
O show acaba, mas a experiência de ser fã continua
Uma das tendências do relatório recebeu o nome de “Fãnômeno” e trata da busca por pertencimento. Shows, clubes do livro e outras experiências compartilhadas aparecem como oportunidades de encontrar pessoas com interesses parecidos. No caso da música, essa relação começa antes de o artista subir ao palco. Tem a expectativa pelo evento, as canções ouvidas na preparação e, depois, as lembranças que continuam sendo revisitadas. A experiência se estende para além da duração do show.
Entre os usuários brasileiros da geração Z contemplados nesse recorte da pesquisa, dois em cada três dizem que o Spotify torna a experiência de ser fã mais envolvente e prazerosa. Uma brasileira de 21 anos ouvida pelo estudo descreve como o K-pop participa desse processo: acompanhar a trajetória dos artistas e se identificar com o que eles transmitem também permite fazer parte de uma comunidade que compartilha o mesmo gosto.
Uma playlist para entrar no personagem
O relatório também identifica uma conexão entre música, games e a busca por confiança e expressão pessoal. É o que chama de “Modo Controle”: interesses que ajudam os jovens a organizar a rotina, construir comunidade e conquistar autonomia. Nas playlists, essa tendência aparece em títulos com a palavra “aura”. Segundo dados internos do Spotify referentes a 12 mercados, o número dessas playlists criadas pela geração Z triplicou entre abril de 2025 e março de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores.
Nomes como “Músicas de Aura”, “Auramaxxing” e “Aurafarming” entram nessa conta, sabia? A ideia é familiar para quem já escolheu uma trilha sonora para se sentir mais confiante antes de sair de casa ou entrar em uma partida. No Brasil, anime, trap e funk brasileiro são as categorias apontadas pela plataforma como as mais consumidas por essa geração em momentos de treino, games e esportes.
Podcasts também entram nessa relação
A conexão com o entretenimento passa ainda pelos criadores que acompanham o dia a dia dos jovens. Na tendência batizada de “Podvê”, o Spotify destaca como áudio e vídeo se misturam na experiência de consumir podcasts. A interpretação do relatório é que rostos e vozes reconhecíveis ajudam a criar proximidade com quem está do outro lado da tela. Acompanhar uma conversa mais longa também pode ser uma maneira de explorar um interesse com profundidade e sentir companhia.
Já a seção “Abraçando o Caos” aborda o interesse por terror, histórias paranormais e true crime, os conteúdos sobre crimes reais. Segundo o documento, as motivações variam conforme a fase da vida: entre adolescentes, a curiosidade aparece como principal impulso; nos grupos mais velhos, surgem também razões como se distrair e lidar com sentimentos.
O que seus favoritos contam sobre você?
As tendências reunidas pelo Spotify sugerem que escolher o que ouvir, assistir e acompanhar também participa da descoberta de quem se é — e de com quem se quer dividir essas experiências. O relatório combina pesquisas realizadas com a GlobalWebIndex e dados internos da plataforma, com recortes brasileiros e internacionais.
Os resultados retratam os públicos analisados, sem significar que toda pessoa da geração Z viva o entretenimento da mesma maneira. Mas, para quem encontrou amigos em um fandom ou guarda uma fase inteira da vida dentro de uma playlist, essa relação provavelmente já faz bastante sentido.

