Vila Nova, Goiás ou Atlético, tanto faz: qualquer clube goiano que chegar à Série A não sabe se chegará ao “paraíso ou ao inferno”. A desigualdade orçamentária entre os clubes da Série A do futebol brasileiro atingiu níveis estratosféricos, consolidando uma elite financeira dominante, que não permite aos clubes medianos e aos considerados pequenos a realização de uma campanha de destaque no cenário nacional. Exemplo desse modelo orçamentário é a Chapecoense, que subiu neste ano para a elite do futebol brasileiro e já está de volta à segunda divisão do futebol brasileiro em 2027.
Com orçamento em torno de R$ 120 milhões, a Chapecoense não conseguiu competir com os grandes clubes do futebol brasileiro, com orçamentos que chegam a R$ 2 bi, no caso de Flamengo e Palmeiras. É a realidade que espera qualquer um dos goianos que conseguir o acesso para a Série A. Vão operar suas equipes com orçamentos da ordem de R$ 120 milhões. Terão o desafio de montar times competitivos e acertar nas contratações de jogadores e comissão técnica, como fez o Mirassol em 2025, que alcançou a proeza de se classificar para a Libertadores. Mas o sucesso do ano passado não se repetiu em 2026: o time está lutando para não ser rebaixado.
ABISMO DE RECEITAS – Os relatórios financeiros mais recentes revelam a distância financeira real entre as potências econômicas e o restante dos clubes que disputam a Série A. Embora o faturamento total da elite do futebol brasileiro tenha alcançado a marca histórica de R$ 14,9 bilhões, a distribuição desse dinheiro é profundamente desproporcional. Apenas cinco clubes (Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense) concentram 49% de toda a receita nacional. Na outra ponta da tabela financeira, equipes de menor expressão regional ou recém-promovidas operam com uma fração mínima desse montante, o que impacta diretamente o nível de investimento em contratações, infraestrutura e folhas salariais. A tabela abaixo detalha essa disparidade de faturamento:
1º – Flamengo …………………………………. R$ 2.089,5 milhões
2º – Palmeiras ..………………………………… R$ 1.696,4 milhões
3º – Botafogo SAF……………………………… R$ 1.388,4 milhões
4º – São Paulo ………………………………….. R$ 1.085,4 milhões
5º – Fluminense ………………………………… R$ 1.022,4 milhões
6º – Corinthians ………………………………… R$ 971,1 milhões
10º – Atlético – MG SAF ………………………. R$ 669,8 milhões
14º – Bahia SAF ………………………………… R$ 562,2 milhões
16º – Fortaleza SAF …………………………….. R$ 303,5 milhões
20º – Mirassol …………………………………… R$ 180,0 milhões
Nota-se que o Flamengo, sozinho, arrecada mais do que a soma de seis ou sete clubes da metade inferior da tabela de faturamento. A concentração de receita não ocorre por acaso. Ela é impulsionada por fatores comerciais, estruturais e pelo modelo de negócios atual. Competições de tiro curto dão enorme vantagem aos clubes que avançam até as fases finais. A participação na reformulada Copa do Mundo de Clubes da Fifa injetou mais de R$ 830 milhões, divididos exclusivamente entre Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras. O mercado de exportação de jogadores movimentou quase R$ 4 bilhões. Clubes ricos conseguem segurar suas promessas para vendê-las por valores astronômicos, como acontece com o Palmeiras, enquanto equipes menores vendem na primeira oportunidade por valores baixos para pagar despesas imediatas. É o caso do Goiás, que está negociando o volante Lucas Rodrigues por valor inferior ao que poderia alcançar caso não enfrentasse uma enorme crise financeira.
O “saco de dinheiro”, embora não entre em campo e não marque gols diretamente, contrata as peças que decidem os campeonatos. Na atual Série A, o reflexo do abismo financeiro é evidente. Flamengo e Palmeiras ocupam as duas primeiras colocações do campeonato, muito distantes dos demais participantes. As potências financeiras, com receitas superiores a R$ 1 bilhão, revezam-se constantemente nas conquistas do Brasileirão e da Copa Libertadores. Flamengo e Cruzeiro quebraram recordes investindo centenas de milhões de reais em reforços em uma única janela de transferências, enquanto times de menor expressão apostam em jogadores livres ou por empréstimo. A CBF e os próprios clubes estudam propostas de regulação econômica. A intenção não é criar um teto igualitário artificial, mas impedir que equipes gastem acima de suas receitas operacionais, gerando concorrência desleal.
VILA NOVA X GOIÁS NO PLAYOFF, UMA POSSIBILIDADE QUE EMPOLGA O TORCEDOR
O Vila Nova já tem vaga garantida no playoff da segunda divisão, mas luta por uma classificação direta. O Goiás vive um grande momento na competição, com ótimas chances de conquistar uma vaga entre os seis melhores da Série B, com direito a participar do playoff em busca das duas últimas vagas para a Série A de 2027. A possibilidade de um encontro entre Vila Nova e Goiás nas disputas por uma das duas vagas do mata-mata empolga os torcedores das duas equipes, principalmente os vilanovenses, já que a partida de volta, se acontecer, será no OBA.
Para que isso possa acontecer, o Goiás precisa ganhar os dois jogos que lhe restam, contra a Ponte Preta, na Serrinha, e o Sport, em Recife, e ainda torcer por um tropeço do CRB. O Vila participa do playoff se não vencer uma de suas duas partidas: contra o Criciúma, no Onésio Brasileiro Alvarenga, e o Fortaleza, na Arena Castelão. O clássico que decide uma vaga para a Série A movimenta a cidade. O Vila está nas primeiras colocações desde as primeiras rodadas. O Goiás começou mal a competição, chegou a ter totalmente descartada a possibilidade de classificação no G6, mas se recuperou na competição, está invicto nas últimas cinco partidas e vive um grande momento na Série B.

RECONHECIMENTO – Jogadores e comissão técnica do Goiás merecem todo o respeito da torcida esmeraldina e da imprensa esportiva de Goiás. O elenco convive com quatro meses de salários, premiações e direitos de imagem em atraso e, mesmo assim, continua jogando com garra, buscando as vitórias, vibrando dentro de campo e demonstrando união do grupo, ou seja, um comportamento exemplar, digno do reconhecimento de todos que militam no futebol. O time apresentou uma reação espetacular na competição, mesmo com as promessas não cumpridas da diretoria.
Enquanto os jogadores e a comissão técnica se dedicam exemplarmente em campo, a diretoria não corresponde. Foram muitas promessas de pagamento dos atrasados não cumpridas, informações inverídicas sobre a obtenção de empréstimo no mercado financeiro para regularizar os problemas financeiros do clube, que nunca se concretiza, e uma diretoria que não se pronuncia, não conversa com o elenco e parece demonstrar uma indiferença revoltante com os quatro meses de atraso no pagamento dos direitos dos jogadores e dos funcionários administrativos.
Em tempos de crise, conhecem-se as “boas almas”. No Goiás, o volante Juninho e o diretor de futebol Michel Alves são os responsáveis por manter um ambiente de esperança de que dias melhores estão por vir. Juninho é o “anjo da guarda” dos administrativos e dos garotos da base, que ganham menos. Ajuda a pagar as contas em atraso daqueles que mais necessitam e tem sempre uma palavra amiga, um abraço fraterno, a presença que garante a esperança entre aqueles com maiores dificuldades. São pessoas como Juninho e Michel Alves, juntamente com o técnico Mozart Santos, que impulsionaram o Goiás a lutar por uma vaga no G6, vencendo quatro das últimas cinco partidas disputadas. Por outro lado, quem deveria estar presente ao lado do grupo de jogadores não aparece nos treinos nem nos jogos, não participa da vida do clube e faz de conta que nada está acontecendo. Estamos falando dos dirigentes, entre os quais o presidente executivo Munir Calixto Júnior e, principalmente, o presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Rogério Pinheiro.
CURTAS
*** A torcida organizada do Goiás esteve na última quinta-feira no Centro de Treinamento do clube para cobrar da diretoria o pagamento dos salários atrasados. Segundo os dirigentes da torcida, os jogadores estão fazendo a parte deles em campo, a torcida também está lotando a Serrinha, só a diretoria do Goiás não está cumprindo com seus compromissos.
*** O torcedor vilanovense merece ver seu time na Série A. Entre os goianos na Série B, o Vila lidera em número de torcedores nos jogos da equipe no Onésio Brasileiro Alvarenga, com uma média de 8.227 torcedores por jogo.

*** O Goiás pretende solicitar a liberação do volante Lucas Rodrigues, convocado mais uma vez para defender a seleção brasileira Sub-20. Na disputa direta pelo G6, a ausência do jogador seria um importante desfalque na partida decisiva contra o Sport.
*** Lucas Rodrigues foi convocado para representar a seleção brasileira Sub-20 durante a Data Fifa e precisa se apresentar até segunda-feira, 9 de novembro. O Goiás vive um drama. Luquinha na seleção é uma valorização para as negociações em andamento para vender o atleta.
*** Se for dispensado da convocação, Lucas Rodrigues ajuda o time nas disputas pela vaga no G6 da Série B. O Goiás não pode prescindir do jogador nesta fase tão importante para o clube na reta final da Série B.


