Dia do Médico: Gilberto Nagahama faz da humanização e do ensino pilares no Hospital Vila Nova Cachoeirinha
De residente a diretor, há mais de duas décadas o ginecologista acompanha transformações e participa de iniciativas pioneiras para ampliar a assistência de alta complexidade na rede pública
Neste 18 de outubro, Dia do Médico, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) homenageia os quase 25 mil médicos que atuam nos mais de mil equipamentos da rede municipal de saúde, das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) aos hospitais, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Presentes em diferentes etapas do cuidado, esses profissionais atuam da prevenção ao tratamento, passando pelo acompanhamento dos pacientes e gestão dos serviços, contribuindo para a assistência oferecida a milhões de pessoas na maior cidade da América do Sul.
Entre eles está Gilberto Nagahama, que há mais de duas décadas trabalha no Hospital Municipal e Maternidade Escola Doutor Mário de Moraes Altenfelder Silva (Vila Nova Cachoeirinha), na zona norte da capital. Ele chegou à instituição em 2004, após ser aprovado para uma das residências mais disputadas da cidade. Morador da região, conheceu o hospital ainda na faculdade, ao ler uma reportagem que despertou seu interesse pelo estabelecimento.
O que começou como uma residência em ginecologia e obstetrícia se transformou em uma trajetória dedicada à assistência, ao ensino e à gestão. Hoje, como diretor técnico do hospital, Nagahama reúne a experiência acumulada em diferentes funções. Trabalhou na assistência, atuou como plantonista e coordenou a Casa da Gestante de Alto Risco por 15 anos. Para ele, essa vivência foi fundamental para desenvolver o olhar que leva à gestão, cargo que ocupa há dois anos.
“Eu sou da casa. Conheço as pessoas, os processos, e também os fluxos”, afirma Nagahama. Segundo ele, ter vivenciado a rotina da assistência permite tomar decisões na direção considerando também a perspectiva dos profissionais que atuam diretamente no atendimento.
Uma maternidade referência em alta complexidade
A experiência adquirida ao longo da carreira se insere em um contexto de assistência especializada. Referência no atendimento a gestações de alto risco, o Hospital Maternidade Vila Nova Cachoeirinha realiza, em média, 500 partos por mês, dos quais cerca de 85% são de alta complexidade, além de mais de 200 cirurgias ginecológicas mensais. A instituição também conta com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal com 30 leitos.
O hospital também acumula iniciativas pioneiras na rede pública. Uma delas é a técnica cirúrgica para o tratamento da hemorragia pós-parto desenvolvida por Nagahama. “Antes, se a medicação não resolvesse a hemorragia, o passo seguinte era retirar o útero. Hoje temos uma técnica para tentar conservá-lo”, explica o médico.
O procedimento, conhecido como B-Lynch e publicado em 2007, contribuiu para mudanças nos protocolos adotados no país.
Outro destaque é o programa de tratamento da endometriose, considerado o maior do tipo no sistema público. Desde 2024, a maternidade realizou mais de 15 mil atendimentos e 2 mil cirurgias relacionadas à doença.
A instituição também realiza cirurgias fetais, como a correção intrauterina da mielomeningocele, malformação da coluna que pode deixar a medula exposta e provocar comprometimentos neurológicos.
Iniciativas como essas, segundo Nagahama, estão diretamente ligadas a outro pilar do hospital: a formação de novos profissionais. Reconhecido pelos ministérios da Educação e da Saúde, o Vila Nova Cachoeirinha mantém a formação de residentes e a produção científica integradas à rotina da instituição.
“Quando a gente ensina, aprende duas vezes”, resume. Para o médico, formar novos profissionais não significa apenas transmitir conhecimento técnico, mas também ensinar atitudes éticas e a capacidade de compreender o paciente para além da doença.
Essa visão humanizada é uma das marcas que Nagahama atribui à própria formação. Durante a residência, mesmo em uma rotina intensa, com grande volume de partos e cirurgias, ele diz ter aprendido com seus professores a importância de preservar o cuidado e o trato com as pacientes e suas famílias. “Não adianta ser um bom médico tecnicamente se você não for humano. Mas também não adianta ser uma pessoa empática e não saber o que está fazendo tecnicamente. Medicina é esse equilíbrio entre o conhecimento e a empatia”, completa.
Neste Dia do Médico, Nagahama deixa uma mensagem aos colegas de profissão, especialmente aos mais jovens: preservar a essência da medicina, que é cuidar do outro. “A medicina e as ciências da saúde são áreas com verdades transitórias. O que achamos certo hoje pode não ser amanhã. Por isso, temos que nos atualizar constantemente”, finaliza.


