Declaração política do sertanejo sobre o PT provocou revolta nas redes sociais e levou as prefeituras de Recife e Fortaleza a cancelar shows
Jorge, que forma dupla com Mateus, virou alvo de uma grande polêmica após uma declaração política durante a campanha presidencial de 2026. O cantor afirmou que não votaria no Partido dos Trabalhadores (PT), em uma manifestação de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A fala voltou a circular nas redes sociais e provocou pedidos de boicote aos shows dos sertanejos no Nordeste.
🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @terrasonora
A repercussão ganhou força depois que Jorge & Mateus foram anunciados como atrações das festas de Réveillon de Recife, em Pernambuco, e Fortaleza, no Ceará. Parte dos internautas questionou a presença dos artistas em eventos públicos da região e passou a pressionar as administrações municipais pelo cancelamento das apresentações.
A polêmica, inicialmente concentrada nas redes sociais, teve consequências concretas e as prefeituras das duas capitais decidiram cancelar os shows que estavam previstos para a virada do ano.
O que Jorge falou sobre o PT?
A declaração que desencadeou a discussão foi feita em 20 de outubro, durante um encontro de artistas sertanejos com Flávio Bolsonaro, realizado em Nerópolis, em Goiás.
Na ocasião, Jorge manifestou oposição ao PT e declarou em uma canção: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.
O vídeo da manifestação voltou a circular depois do resultado das eleições presidenciais e passou a ser compartilhado por internautas que criticaram a contratação da dupla para eventos públicos no Nordeste.
É importante esclarecer que Jorge não mencionou diretamente o Nordeste na frase. A associação com a região surgiu posteriormente, a partir da reação de parte do público à presença dos cantores nas festas de fim de ano.
Além disso, a declaração registrada no vídeo foi feita por Jorge. Não há confirmação de que Mateus tenha participado daquela manifestação política ou declarado o mesmo posicionamento.
Por que as prefeituras cancelaram os shows de Jorge & Mateus?
A decisão foi anunciada na noite de terça-feira (3). No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) explicou que a festa de Réveillon deveria representar um momento de união e confraternização. Segundo ele, a apresentação da dupla deixou de combinar com a proposta do evento.
“Final de ano é sempre um momento de união, unidade, fraternidade, estar junto de quem a gente ama, de muito amor e também de renovação da esperança. E é justamente por esse motivo que não há mais clima para a apresentação da dupla Jorge e Mateus dentro da nossa programação”, declarou o prefeito em vídeo publicado nas redes sociais.
Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) também confirmou o cancelamento. Ele explicou que as negociações para contratar os artistas haviam começado meses antes, mas a repercussão posterior provocou uma mudança de cenário.
“Diante das questões posteriores que geraram polêmica, tirando o foco do nosso real objetivo, que é fazer uma das maiores e mais animadas festas populares do país, foi acordado o cancelamento do contrato de participação da dupla na celebração deste ano, de forma absolutamente legal”, afirmou.
As duas apresentações estavam previstas nas programações oficiais das festas de fim de ano das capitais.
O que aconteceu com Jorge & Mateus nas redes sociais?
Depois que o vídeo de Jorge voltou a circular, os perfis da dupla receberam uma série de comentários de pessoas contrárias à presença dos sertanejos nos eventos nordestinos.
Entre as manifestações, internautas escreveram que os artistas não seriam bem-vindos ao Ceará e ao Recife. Outros defenderam que as prefeituras retirassem os nomes da programação por se tratar de festas financiadas com dinheiro público.
A discussão também dividiu opiniões. Enquanto uma parcela do público apoiou os pedidos de boicote, outros internautas defenderam que os artistas têm direito de expressar suas preferências políticas sem que isso determine onde podem se apresentar.
Até a publicação das informações consultadas, não havia um posicionamento público da dupla sobre a decisão das prefeituras de Recife e Fortaleza.


