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Pitiko, cria do Morro do Jordão, atinge 10 milhões de reproduções no Spotify em um ano

Cidade FM . Cidade FM
3 de novembro de 2026
. Celebridades
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Pitiko, cria do Morro do Jordão, atinge 10 milhões de reproduções no Spotify em um ano


Aos 19 anos, Pitiko ainda mora com os pais no Morro do Jordão, na Taquara, mas a sua música já circula além da comunidade. Em menos de um ano no Spotify, o cantor e compositor ultrapassou 10 milhões de reproduções e se tornou um dos destaques da Fresh Finds Brasil, playlist feita pela plataforma e dedicada a artistas em ascensão na cena musical brasileira. “Como descobrir”, sua faixa mais ouvida, soma aproximadamente 5,3 milhões de execuções. O sucesso meteórico é registrado em 2026, mas o trabalho acontece há anos, desde a infância do bagunceiro João Cardoso.

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Família.Pitiko começou a tocar violão na infância com a mãe, professora de música; hoje, domina vários instrumento — Foto: Divulgação/Pedro de Freitas
Família.Pitiko começou a tocar violão na infância com a mãe, professora de música; hoje, domina vários instrumento — Foto: Divulgação/Pedro de Freitas

Até a última quarta-feira, o artista, que completa 20 anos em 28 de novembro, registrava 237,9 mil ouvintes mensais. Os números acompanham uma possibilidade que ele começou a rexperimentar este ano: a de viver da música. O crescimento também alimenta um desejo compartilhado com a família, o de sair do Jordão. Os pais preferem a Barra ou o Recreio; já o artista sonha com Ipanema ou Leblon.

— Eu sou muito grato ao Morro do Jordão, moro a minha vida inteira aqui e foi onde cresci musicalmente também. Só que eu não posso negar que um dos meus sonhos é realizar a vontade dos meus pais de morar na Barra ou no Recreio. E ainda tenho o meu, de morar nos cenários de novela da Zona Sul — revela Pitiko.

Ele conta que a infância teve como cenário principal o quintal da casa onde vive até hoje. Caseiro, brincava sozinho, inventando aventuras em que combatia diferentes inimigos, como zumbis. Utiliza cabo de vassoura, toalhas e o que mais tivesse no entorno para dar asas a imaginação. Também foi ali, no quintal, que ganhou gosto pelo futebol e descobriu sua paixão pelo Flamengo, antes de ir jogar bola pelos cantos do Jordão. Naquele menino que se descreve como distraído, a música despertava uma concentração especial.

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Sapeca na infância, Pitiko conta que bastava a mãe colocar um DVD de Michael Jackson para prender sua atenção por tempo indeterminado. Até hoje, o Rei do Pop é o seu maior ídolo. O “pitiko” da família — daí o nome artístico — também admirava Jorge Ben Jor, Djavan, bateria de escolas de samba e outras referências da black music.

— Eu sou e sempre fui muito disperso, mas a música sempre me trouxe muito foco. É como se eu fosse hiperfocado. E a minha família é toda musical. Quem não canta, toca ao menos um instrumento. Cresci rodeado de diferentes referências e sempre consumindo música para fazer as tarefas.

Na família materna, com raízes no Morro do Salgueiro, na Zona Norte, o samba atravessa gerações. O avô tocava gaita, a avó cantava e um tio é percussionista da vermelho e branca até hoje, mas Pitiko escolheu a Portela como seu pavilhão. O pai é um incansável ouvinte de músicas; já a mãe tentou seguir carreira como cantora, fez faculdade e se tornou professora de música. Foi ela quem deu ao filho os primeiros ensinamentos sobre violão e teclado. Hoje, Pitiko também toca cavaco, flauta, conga e pandeiro.

— Minha mãe me ensinou muito. É a pessoa mais importante para eu ser quem sou hoje. Mas eu também me esforço. Tenho dificuldade com a parte teórica da música, então, comecei a entender como me desenvolver através da observação e intuição — afirma.

Sem saber ler partituras, ele recorria às aulas da plataforma Cifra Club na internet: pausava os vídeos, observava a posição dos dedos do professor e tentava reproduzir tudo. Quando errava, voltava ao início da música e recomeçava. O exercício foi se transformando em repertório para criar melodias próprias.

A primeira composição surgiu por volta dos 11 anos, já com letra. O tema era a vontade de viajar, sair de casa e conhecer o mundo, uma pequena revolta de quem passava tanto tempo no ambiente doméstico. Ao se lembrar daquele desejo, ele ri da mudança de perspectiva:

— Hoje eu vivo na rua, então quero ficar em casa.

A exposição nas redes sociais começou há cerca de três anos. Os vídeos tocando pagode e partido-alto com a família ganharam visibilidade, mas ser reconhecido pelas próprias canções exigiu outra etapa. Ele conta ter passado um ano tentando se desvincular da imagem de influenciador, em meio a publicações que não alcançavam a repercussão esperada.

— Fiquei um ano persistindo, lançando vídeo e dando errado. Você tem que ser muito persistente, tem que ter muita fé, tem que ser positivo — diz.

O vídeo de “Como descobrir”, lançado em fevereiro, marcou a virada. A repercussão ajudou a acelerar outros lançamentos: segundo Pitiko, foram mais de dez músicas este ano. Ele formou uma equipe que o auxilia nas questões burocráticas e na chegada das faixas às plataformas, lançou um EP e o álbum “Pitiko acústico”, ganhou vida em setembro. Agora, prepara seu primeiro álbum produzido em estúdio, ainda sem título.

Os shows também começaram a entrar na rotina, com apresentações no Rio e em São Paulo e planos de cantar em Minas Gerais. Ele destaca o carinho dos fãs, inclusive crianças, e associa essa aproximação ao repertório leve, em que fala de amor.

Romântico. “Buquê de rosas” é uma das cinco músicas mais ouvidas do artista nas plataformas digitais — Foto: Divulgação/Rafael Tenenbaum
Romântico. “Buquê de rosas” é uma das cinco músicas mais ouvidas do artista nas plataformas digitais — Foto: Divulgação/Rafael Tenenbaum

Para construir esse som, o samba e o partido-alto da família se encontram com o samba-rock e referências africanas. Jorge Ben Jor é seu principal ídolo brasileiro, seguido por Djavan. O primeiro se faz presente em audições diárias, na admiração pela liberdade de abordar diferentes assuntos e no sonho de um encontro.

Fora da rotina de gravações e palcos, Pitiko tenta organizar uma rotina de acordar cedo, malhar e se alimentar bem. Ao chegar em casa, costuma pegar o violão sem compromisso. Nessas horas surgem novas melodias.

A inspiração tem, para ele, um componente espiritual, diz. Filho de testemunhas de Jeová, religião que respeita, mas escolheu não seguir, Pitiko diz agradecer antes de compor. Também tem o hábito de pegar o instrumento quando vê o relógio marcar 23h23, horário que associa à proteção espiritual. As ideias, porém, podem aparecer a qualquer momento: se uma melodia vem durante um deslocamento de moto, ele recorre ao gravador.

O crescimento profissional convive com a ansiedade de melhorar a vida dos pais. Ao explicar a vontade de deixar o Jordão, ele relata preocupação com a violência:

— Está sendo maravilhoso, porque o sonho da minha mãe está se realizando através de mim. Mas, ao mesmo tempo, é um pouco agoniante; porque falta pouco, mas ainda falta.

Nos planos estão grandes shows e apoio à comunidade, com cestas básicas e projetos sociais, quando estiver mais estabelecido. Ao falar do lugar que pretende ocupar na música, ele combina a expectativa com uma declaração de confiança:

— Quero ser o maior artista do Brasil, e eu vou lutar para o povo ver isso.

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