Atlético Clube Goianiense (Foto – Allan Deyvid)
O Atlético-GO apresenta um endividamento de R$ 42 milhões no ranking da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), divulgado recentemente e que reúne informações financeiras dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Entretanto, o balanço consolidado do Dragão, referente ao exercício de 2025, aponta obrigações totais de R$ 68,2 milhões. A diferença entre os valores chama a atenção, mas não representa necessariamente uma divergência nas contas do clube, já que os dois números consideram critérios distintos de apuração.
O jornalista Victor Gader, do projeto Futebol 62, apresentou um detalhamento da situação financeira do Atlético-GO e explicou a diferença entre os valores. Os R$ 42 milhões divulgados no ranking da ANRESF representam um recorte do endividamento, considerando principalmente empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo. Já os R$ 68,2 milhões do balanço consolidado abrangem um conjunto mais amplo de obrigações, incluindo compromissos trabalhistas, tributários, financeiros e judiciais. Portanto, não se trata de duas dívidas que devem ser somadas, mas de indicadores construídos a partir de metodologias diferentes.
Na composição do passivo consolidado do Atlético Clube Goianiense, a maior parcela corresponde a outras contas e compromissos, que totalizam R$ 25 milhões. Em seguida aparecem as obrigações trabalhistas, sociais e tributárias, de R$ 14,3 milhões, e os parcelamentos tributários, que somam R$ 13,1 milhões. O levantamento também identifica R$ 9,7 milhões em empréstimos e financiamentos, além de R$ 6 milhões em contingências judiciais. Esses valores ajudam a dimensionar os compromissos financeiros assumidos pelo clube e os diferentes setores que exigem atenção da administração.
Apesar do volume de obrigações, o Atlético-GO encerrou 2025 com indicadores mais favoráveis do que os apresentados pelos principais rivais goianos. O clube registrou um pequeno superávit de R$ 700 mil, resultado que indica receitas superiores às despesas no exercício. Outro dado relevante é o patrimônio líquido positivo de R$ 161,5 milhões, considerado o melhor entre os três clubes da capital. Isso significa que, contabilmente, o Atlético apresenta uma posição patrimonial mais sólida, embora continue tendo compromissos financeiros a administrar.
Na comparação apresentada pelo levantamento, o Vila Nova aparece com R$ 155 milhões em dívidas, seguido pelo Goiás, com R$ 114 milhões, e pelo Atlético-GO, com R$ 42 milhões no ranking da ANRESF. O Dragão, portanto, apresenta o menor valor entre os três. Na análise de Victor Gader, o clube rubro-negro não está livre de dívidas, mas terminou 2025 em uma condição financeira mais equilibrada do que seus principais concorrentes estaduais. A avaliação leva em consideração não apenas o endividamento, mas também o resultado do exercício e a situação patrimonial.
Esse cenário, entretanto, não impediu que o Atlético-GO enfrentasse dificuldades financeiras ao longo de 2026. Recentemente, os jogadores divulgaram uma nota coletiva cobrando o pagamento de salários e direitos de imagem atrasados, além de outros compromissos financeiros. O elenco relatou atrasos de aproximadamente dois meses, situação que provocou desgaste em um momento decisivo da Série B do Campeonato Brasileiro. Diante da cobrança, o presidente Adson Batista anunciou a obtenção de um aporte financeiro de R$ 6 milhões para regularizar os pagamentos e proporcionar maior tranquilidade ao grupo.
A situação evidencia a diferença entre apresentar indicadores patrimoniais positivos e manter dinheiro disponível para cumprir obrigações imediatas. Mesmo com superávit e patrimônio líquido favorável, o Atlético-GO precisou recorrer a recursos adicionais para enfrentar dificuldades de caixa durante a temporada. Na reta final da Série B, com a equipe ainda buscando o acesso à elite do futebol brasileiro, o desafio da diretoria é conciliar a competitividade esportiva com o equilíbrio financeiro, preservando a capacidade de pagamento e evitando novos atrasos.
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