O Spotify anunciou nesta quarta-feira, 7, que começará a oferecer audiolivros no Brasil em 15 de outubro, com mais de 6 mil títulos narrados em português brasileiro. A chegada integra uma expansão de 22 para mais de 180 mercados até o fim de 2026 e amplia a atuação da empresa em um segmento já disputado pela Amazon, dona do Audible.
O lançamento combina um benefício para assinantes e opções de cobrança adicional. Clientes elegíveis do Premium terão 12 horas mensais de escuta incluídas no plano. Também haverá compra de obras individualmente e acesso pelo Audiobooks+, modalidade que oferece horas adicionais. A disponibilidade e os preços variam conforme o mercado.
O desenho comercial permite usar a assinatura de música como porta de entrada para os livros narrados. Quem já paga pelo aplicativo poderá experimentar o formato sem contratar inicialmente outro serviço. Para a empresa, o consumo além da franquia cria uma oportunidade de vender mais horas, enquanto a compra avulsa permite alcançar pessoas que procuram apenas uma obra.
Os números divulgados pelo Spotify mostram que a cobrança adicional já ganhou escala. O Audiobooks+ ultrapassou 1 milhão de assinantes e 100 milhões de dólares em receita recorrente anualizada pouco mais de um ano após o lançamento. Esse indicador projeta para doze meses o ritmo de receita das assinaturas e não equivale ao faturamento já acumulado no período.
A expansão também aumenta a concorrência entre plataformas que reúnem diferentes conteúdos em uma mesma mensalidade. A Amazon já oferece aos assinantes do Music Unlimited no Brasil um audiolivro por mês da biblioteca do Audible, além de músicas e podcasts. As empresas adotam critérios distintos para o benefício, uma obra no caso da Amazon e uma franquia de horas no Spotify.
Para as editoras, a entrada do serviço representa outro canal de distribuição de versões narradas de seus catálogos. Entre os grupos citados no lançamento brasileiro estão Companhia das Letras, Melhoramentos, Dialética e Saga Egmont. O Spotify informa que suas parcerias não exigem exclusividade, permitindo que as obras continuem disponíveis em serviços concorrentes.
O catálogo destinado aos novos mercados terá mais de 350 mil títulos em diferentes idiomas. Essa quantidade é mais ampla que a oferta inicial em português e não deve ser confundida com o número de obras brasileiras disponíveis.
A aposta nos livros faz parte de uma diversificação iniciada depois da expansão em podcasts. Em apresentação a investidores em maio, o Spotify informou que quase metade de seus ouvintes de audiolivros tinha menos de 35 anos. A empresa também anunciou ferramentas de geração de narração digital para autores independentes, desenvolvidas com tecnologia da ElevenLabs.


