
A plataforma de streaming encontra-se a preparar uma nova modalidade paga que permitirá aos subscritores modificarem músicas existentes com recurso a inteligência artificial no início de 2027. Segundo avança o Financial Times, esta funcionalidade poderá custar um valor adicional de 4 a 5 dólares mensais (cerca de 3,60 € a 4,50 € à taxa de câmbio atual, sem impostos), o que representa um agravamento próximo dos 40% face aos 12,99 dólares (cerca de 11,60 €) cobrados pelo plano individual Premium nos Estados Unidos.
O calendário provisório aponta para uma estreia durante o primeiro trimestre de 2027, numa fase em que o Spotify ganha subscritores Premium e procura novas fontes de receita. A empresa espera apresentar a novidade em fevereiro, na altura da cerimónia dos Grammy Awards, embora os planos e os preços finais ainda estejam a ser definidos internamente e possam sofrer alterações.
Como funcionam os remixes e a divisão de receitas
Ao contrário de serviços como o Suno, que utilizam modelos de IA generativa para compor faixas inteiramente novas a partir do zero através de instruções de texto (prompts), a ferramenta desenhada para a aplicação foca-se na manipulação de obras já existentes no catálogo. Na prática, este processamento áudio permite ao utilizador alterar a estrutura rítmica ou o timbre vocal de uma gravação licenciada. Será possível, por exemplo, transformar uma canção folk numa faixa de música de dança ou recriar o tema como se estivesse a ser interpretado por um artista completamente diferente, num registo semelhante à criação de covers.
Para viabilizar o projeto junto da indústria musical, a tecnológica pretende garantir que os direitos de autor gerados por estas versões criadas pelos fãs revertam diretamente para os artistas responsáveis pelos temas originais. A equipa encontra-se também a desenvolver um mecanismo técnico para integrar estes remixes em playlists, fazendo com que as respetivas reproduções (streams) contem para a posição da música original nos tops da plataforma.
Acordos de licenciamento e resistência dos artistas
A disponibilização deste catálogo depende de negociações complexas com as editoras discográficas. A empresa já garantiu acordos de licenciamento com o Universal Music Group (UMG) e com a distribuidora francesa Believe, depois de ter também selado acordo com a Merlin para criar remixes com inteligência artificial. As conversações com a Sony Music e com o Warner Music Group continuam a decorrer para tentar incluir os respetivos catálogos no serviço.
Mesmo nos casos em que uma editora aceita licenciar o seu repertório para esta funcionalidade, os artistas individuais terão a palavra final sobre a autorização para que as suas músicas sejam usadas em remixes de IA. Esta cláusula tem travado a adesão de algumas das maiores estrelas da música atual, que se mostram relutantes em participar, enquanto os artistas mais antigos e já estabelecidos no mercado aparentam estar mais recetivos à iniciativa.
A aposta comercial surge num momento em que o setor tenta lidar com a proliferação de conteúdos gerados automaticamente de baixa qualidade, frequentemente apelidados de “AI slop”. Enquanto gigantes como a Google e a Microsoft incentivam a adoção destas ferramentas devido aos seus fortes investimentos na área, várias plataformas de streaming musical seguiram o caminho oposto: o Tidal desativou a monetização para faixas geradas de forma massiva por IA e o Qobuz passou a identificar este tipo de conteúdo com etiquetas próprias, sem proibir o uso pontual da tecnologia para retoques criativos.
No início deste ano, o diretor executivo do Spotify chegou a defender a música criada por IA e pediu aos utilizadores para deixarem de a classificar de forma pejorativa, ainda que a plataforma tenha acabado por eliminar mais de 75 milhões de faixas deste género em julho. Apesar de também ter integrado a IA Muse da Meta recentemente para o controlo de listas de reprodução, a empresa ainda não comentou oficialmente os planos relativos a esta nova subscrição extra para criação de remixes.


