O Spotify quer continuar a ser a plataforma de música preferida, mesmo quando os utilizadores começarem a pedir recomendações a agentes de inteligência artificial. A empresa acredita que esta mudança pode trazer mais oportunidades do que riscos.
Durante a apresentação dos resultados trimestrais, o co-CEO Gustav Söderström afirmou que o Spotify está “excecionalmente bem posicionado” para a chamada era da IA agêntica.
Spotify quer estar presente em qualquer agente de IA
A estratégia passa por permitir que os utilizadores acedam a música, podcasts e audiolivros através de assistentes de outras empresas, sem que o Spotify perca o controlo da experiência.
Na prática, alguém poderá pedir a um assistente de IA uma playlist para correr, baseada no seu histórico de audição. O pedido pode ser feito numa aplicação externa, mas os sistemas do Spotify tratariam da recomendação e da reprodução.
Esta abordagem permite à empresa aproveitar a popularidade dos agentes de IA e, ao mesmo tempo, manter uma relação direta com os seus utilizadores.
Parcerias com ChatGPT, Claude e Meta Muse
O Spotify já estabeleceu integrações com o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic. A empresa também anunciou uma parceria com o Muse, o novo agente de IA da Meta.
Entre os exemplos apresentados está a criação automática de playlists para diferentes momentos do dia, rotinas específicas ou atividades concretas. O objetivo é tornar a descoberta de conteúdos mais simples e personalizada.
Os agentes também poderão criar episódios de podcast adaptados a pedidos individuais, incluindo podcasts criados por IA, como um resumo de notícias ou uma explicação para estudar. No Spotify, esses conteúdos podem ser guardados de forma privada na biblioteca do utilizador, quando a integração é compatível.
O desafio da privacidade dos dados
A ligação entre serviços digitais e agentes de IA levanta, contudo, questões importantes sobre privacidade e segurança. Cada pedido pode revelar interesses, hábitos e necessidades que uma plataforma não conheceria através da utilização tradicional.
O Spotify garante que não pretende entregar os seus dados proprietários de utilizadores a agentes externos. Segundo a empresa, os pedidos serão encaminhados para os próprios sistemas de IA da plataforma, que decidirão o que recomendar com base no perfil de cada pessoa.


Existe, ainda assim, um efeito secundário: ao analisar novas perguntas e pedidos, o Spotify pode obter uma visão mais detalhada dos interesses dos seus ouvintes e dos seus dados pessoais. Essa informação poderá melhorar as recomendações, mas também aumenta a importância da transparência e do controlo sobre os dados pessoais.
Mais inteligência artificial dentro da própria aplicação
A aposta do Spotify não depende apenas de integrações externas. A empresa está também a desenvolver funcionalidades de IA para a sua aplicação, incluindo um assistente com interação semelhante ao ChatGPT.
Está ainda previsto um extra pago para criar versões geradas por IA, como capas e remisturas. Estas ferramentas poderão transformar a forma como os utilizadores descobrem, personalizam e partilham música.
Uma mudança na forma como descobrimos música
O Spotify acredita que os agentes de IA vão automatizar muitas tarefas digitais, mas não vão eliminar o interesse das pessoas por música e entretenimento. A plataforma quer ser o serviço utilizado diretamente pelo consumidor ou através do assistente que este escolher.
Se a estratégia resultar, pedir música a um agente de IA não significará necessariamente abandonar o Spotify. Pelo contrário, poderá tornar-se uma nova porta de entrada para o serviço, enquanto a empresa tenta transformar o crescimento da IA numa vantagem competitiva.
Fonte: Gizmodo



