Foto – Roberto Corrêa (Vila Nova FC)
O Vila Nova vive um momento de tensão na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro. A diretoria está irritada com decisões da arbitragem e entende que o time vem sendo prejudicado em partidas decisivas na luta pelo acesso à elite do futebol nacional. A insatisfação ganhou força após o empate por 2 a 2 com o Juventude, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, quando um possível pênalti a favor do Tigrão não foi assinalado.
O vice-presidente Hugo Jorge Bravo chegou a afirmar que o Vila Nova Futebol Clube foi roubado e questionou a recorrência de decisões que, na avaliação do dirigente, prejudicam o clube. É uma manifestação forte, que repercute entre os torcedores e aumenta a pressão sobre a arbitragem nesta reta final da competição.
O lance contra o Juventude aconteceu quando o placar ainda estava 0 a 0. A bola tocou no pé de um jogador do Vila Nova e, na sequência, atingiu o braço de um defensor da equipe gaúcha dentro da área. O árbitro pernambucano Rodrigo José Pereira de Lima não marcou a penalidade. O árbitro de vídeo, Emerson de Almeida Ferreira, também analisou a jogada e não recomendou a revisão da decisão. Portanto, dois profissionais de arbitragem avaliaram o episódio e chegaram ao mesmo entendimento. Isso não significa necessariamente que a decisão tenha sido correta, mas demonstra que não houve divergência entre a interpretação de campo e a do VAR.
A revolta da diretoria é compreensível diante da importância dos pontos em disputa. Entretanto, existe uma diferença enorme entre questionar decisões de arbitragem e sugerir que há uma ação deliberada para prejudicar o Vila Nova. Não existem provas de um esquema, de um complô ou de qualquer articulação contra o clube colorado. E o próprio Vila Nova não apresentou elementos que sustentem uma acusação dessa gravidade. No futebol brasileiro, infelizmente, tornou-se comum transformar decisões controversas em suspeitas de perseguição. É uma prática recorrente, especialmente quando os resultados deixam de acontecer, e que também funciona como instrumento de pressão sobre os responsáveis pela arbitragem.
Mas o Vila Nova precisa olhar com atenção para aquilo que está acontecendo dentro de campo. Contra o Novorizontino, a equipe estava vencendo e sofreu o empate nos acréscimos. Diante do São Bernardo, novamente tinha a vitória encaminhada, mas permitiu uma virada por 3 a 2, também com gols nos minutos finais. São pontos preciosos desperdiçados em uma fase da competição na qual cada detalhe pode determinar o acesso. Independentemente de qualquer discussão sobre arbitragem, não é admissível que uma equipe com as ambições do Vila Nova deixe escapar resultados dessa maneira. Falta concentração, capacidade de administrar vantagens e atenção nos momentos decisivos das partidas.
O Vila Nova construiu, ao longo da Série B, uma campanha que o credencia como um dos principais candidatos ao acesso. Demonstrou competitividade, organização e capacidade de enfrentar os adversários em igualdade de condições. Não chegou por acaso à reta final entre os primeiros colocados. Por isso, o momento exige que jogadores e comissão técnica recuperem características que fizeram do time uma das forças da competição. É preciso voltar a demonstrar segurança, equilíbrio emocional e eficiência para transformar boas atuações em vitórias. A preocupação com a arbitragem não pode se tornar maior do que a preocupação com o próprio desempenho. Isso é transferência de responsabilidade.
O próximo compromisso será diante do Criciúma, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga. Jogando em casa, com o apoio de sua torcida e considerando a campanha construída até aqui, o Vila Nova tem condições de assumir o favoritismo e conquistar uma vitória fundamental. Na última rodada, contra o Fortaleza, no Ceará, também possui capacidade para buscar um resultado positivo. São dois confrontos difíceis, mas absolutamente compatíveis com o potencial demonstrado pela equipe durante a temporada. O clube ainda pode brigar por uma das duas vagas de acesso direto ou chegar fortalecido e como um adversário extremamente competitivo aos playoffs.
A diretoria tem todo o direito de cobrar explicações da CBF, questionar critérios e exigir uma arbitragem de qualidade. O que não se sustenta é a ideia de que exista uma conspiração contra o Vila Nova sem qualquer prova concreta. A indignação pode até servir como ferramenta de mobilização e pressão, mas não pode desviar o foco das responsabilidades internas. O Vila Nova precisa entender que seu maior desafio nesta reta final não é combater um suposto inimigo externo, mas recuperar a capacidade de vencer jogos que estão ao seu alcance. O acesso continua possível, e o time já demonstrou ter futebol suficiente para conquistá-lo. Agora, mais do que discursos sobre arbitragem, é hora de transformar esse potencial em resultados.


