
O Spotify projetou nesta quinta-feira (22) um lucro operacional de 820 milhões de euros (cerca de US$ 920,5 milhões) para o quarto trimestre de 2026, acima da estimativa média de 813,4 milhões de euros dos analistas de Wall Street. A previsão ocorre em meio à ampliação dos investimentos da plataforma de streaming em inteligência artificial (IA), com o objetivo de atrair usuários e aumentar o engajamento durante a temporada de festas de fim de ano.
O anúncio foi recebido positivamente pelo mercado financeiro. As ações da companhia sueca subiram mais de 9% nas primeiras negociações desta quinta-feira, atingindo o maior patamar desde janeiro.
Entre as principais apostas do Spotify estão ferramentas de personalização musical baseadas em IA, como o AI DJ, que seleciona músicas e apresenta comentários falados, e a criação de playlists a partir de comandos dos usuários, permitindo indicar estilos, preferências e estados de espírito.
Os recursos fazem parte da estratégia da empresa para melhorar a descoberta de conteúdos e ampliar o tempo de permanência dos usuários na plataforma, em um mercado que enfrenta a expansão de serviços de geração musical por inteligência artificial, como Suno e Udio.
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Spotify prevê crescimento de assinantes premium
Para o quarto trimestre, o Spotify estima alcançar 818 milhões de usuários ativos mensais, número ligeiramente inferior aos 819 milhões esperados por analistas consultados pela Visible Alpha.
A projeção para os assinantes premium, por outro lado, supera as expectativas do mercado. A empresa espera encerrar o período com 316 milhões de clientes pagantes, acima da previsão de 314,7 milhões, o que representaria a adição de aproximadamente 10 milhões de assinantes em relação ao trimestre anterior.
No terceiro trimestre, encerrado em 30 de setembro, a plataforma registrou receita de 4,97 bilhões de euros, ligeiramente abaixo dos 4,98 bilhões de euros estimados por analistas, segundo dados compilados pela LSEG.
O lucro operacional chegou a 672 milhões de euros, praticamente em linha com a expectativa de 671,8 milhões. Já o lucro por ação ficou em 2,48 euros, abaixo dos 2,80 euros projetados pelo mercado.
A base de usuários ativos mensais alcançou 788 milhões, crescimento de 1% em comparação com o trimestre anterior. Desse total, 306 milhões eram assinantes premium.
Inteligência artificial amplia estratégia de negócios
Além dos recursos de personalização, o Spotify tem investido em novas possibilidades de criação e consumo de conteúdo com inteligência artificial.
Nesta semana, a companhia anunciou um acordo de licenciamento com a distribuidora musical Believe para desenvolver uma ferramenta paga que permitirá aos fãs criar versões e remixes de músicas com auxílio de IA. A empresa também firmou acordos com Universal Music Group, Merlin e Kobalt para viabilizar o novo serviço.
A proposta é ampliar as possibilidades de interação entre artistas e ouvintes, com mecanismos de autorização e remuneração para os detentores dos direitos musicais.
O Spotify também tem integrado seus serviços a ferramentas externas de inteligência artificial, permitindo que usuários solicitem conteúdos musicais por meio de outras plataformas, enquanto a reprodução permanece no aplicativo de streaming.
Durante a apresentação dos resultados, o co-CEO Gustav Söderström destacou a expansão dos recursos de descoberta musical. Segundo o executivo, a ferramenta About the Song, que apresenta informações e histórias relacionadas às músicas, está a caminho de alcançar 100 milhões de usuários. Além disso, quase 40 milhões de assinantes premium já utilizam playlists com recursos de mixagem.
A companhia também prevê uma desaceleração no crescimento das despesas operacionais a partir do quarto trimestre, tendência que deverá continuar em 2027.
Para os investidores, o desempenho dos próximos meses será importante para avaliar a capacidade do Spotify de transformar os investimentos em inteligência artificial em crescimento de assinantes, maior engajamento e rentabilidade.
A combinação entre expansão da base de usuários, desenvolvimento de novos produtos e controle de custos deverá continuar no centro da estratégia da empresa diante da concorrência no mercado global de streaming.
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